quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Review Cultural



A III Semana de consciência negra da UFJF,  ocorreu de forma virtual, com conteúdos variantes sobre a temática indo de oficinas até conferências.

De forma inicial a mesa da professora Fernanda Thomaz contou com duas convidadas bem influentes no cenário, as professoras, Artemísia Candé e Graça Lweji  que de forma bem explicativa retrataram suas vivências como mulheres africanas residentes no Brasil, falando de assuntos relevantes como por exemplo o esteriótipo superficial criado na imaginação de muitos brasileiros em relação  aos hábitos de vida e costumes africanos, que de certa forma ilustrava um preconceito "xenoracial", sem ao menos ter um conhecimento apurado da realidade africana.

No decorrer da live,em uma trajetória esporádica, cria-se uma ponte correlacionando o sexismo e o racismo, com relatos pessoais de ambas as convidadas, dando uma atenção especial  voltada para uma visão geopolítica, já que se trata de mulheres africanas vivendo em um país estrangeiro, dessa forma, fica evidente que o enfrentamento social que elas ocupam atingem a outras esferas sociais e  de formas diferentes, e por conta disso a atuação de combate as mazelas sociais são adaptadas para obtenção de êxito, tanto em relação ao racismo, quanto em relação ao sexismo que irá ser combatido pelo feminismo, de uma maneira única para cada mulher, pontuando também a existência e a ação da sororidade  entre mulheres, principalmente entre mulheres pretas, que servirá de suporte para os diversos desafios do cotidiano.

A união entre pretos e pretas sempre será a maior prioridade, juntos somos mais fortes, e a ancestralidade mostra isso em diversos momentos das histórias africana e afro-brasileira, nesse sentindo as percepções étnico-raciais  e experiências coletivas e pessoais podem até se diferenciar de preto(a)  para preto(a) , de africano(a) para afro-brasileiro(a), entretanto, a luta busca interesses e objetivos em comum, mesmo com as variadas particularidades.

O vídeo na integra se encontra no YouTube, em um bate papo de extrema relevância que vale muito a pena conferir.

Segue abaixo o link:

https://youtu.be/Db5k1pmOz18


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

III Semana de Consciência Negra da UFJF

 


O projeto Encontros Temáticos da comunidade Negra de Juiz de Fora em parceria com a DIAAF tem o prazer de convidar a todos para participar do evento da III Semana da Consciência Negra 2020 da UFJF a realizar-se entre os dias 23 a 27 de novembro de 2020 através do canal do evento no YouTube intitulado como : "Semana de consciência negra da UFJF"

 

Seguem a baixo o link tradicional para inscrição e também o QR Code no canto inferior direito do cartaz que irá redirecionar os interessados direto para página web.

 

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd1cpO5hsFzrmD_4K31HMwufktSkAO-8cI1bpp3lN-Qkyooug/viewform

Haverá emissão de certificados.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

III Semana da Consciência Negra da Ufjf

 


A III Semana da Consciência Negra da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está com inscrições abertas para o recebimento de propostas de oficinas, palestras, ciclo de debates e minicursos.  O evento, cuja organização é realizada em parceria pelo Programa de Extensão Encontros Temáticos da Comunidade Negra e pela Diretoria de Ações Afirmativas (Diaaf), será realizado entre os dias 23 e 27 de novembro, em plataformas virtuais.

 Os interessados em propor atividades devem fazer o encaminhamento das sugestões até o dia 7 de novembro, exclusivamente, por meio virtual. Todas as propostas devem estar de acordo com a temática do evento, ou seja, relacionadas aos estudos sobre a cultura negra e/ou afro-brasileira e africana.

 Acesse aqui o formulário para inscrição de propostas :

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfhaXccBJPHwUFIRSX3eewWP119XAJ0JjCbBMgqvEujcTz6GA/viewform>

A III Semana da Consciência Negra da UFJF terá carga horária total de 20 horas. De acordo com a organização, oficinas, palestras e ciclo de debates poderão ter duração máxima de 2 horas. Já os minicursos podem variar de quatro a seis horas. Todas as regras para participação estão disponíveis no edital do evento.



Para mais informações acesse o site da Ufjf.

<https://www2.ufjf.br/noticias/2020/10/30/iii-semana-da-consciencia-negra-recebe-inscricoes-de-propostas/>

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico



 Texto retirado do referenciado abaixo

Juliano Moreira 

''Sua extensa obra escrita abrangeu várias áreas de interesse; inicialmente, publicou estudos nas áreas de sifiligrafia, dermatologia, infectologia e anatomia patológica. A seguir, concentrou-se cada vez mais nas doenças nervosas e mentais, em descrições clínicas e terapêuticas, escreveu sobre modelos assistenciais e sobre a legislação referente aos alienados, discutiu a nosografia psiquiátrica e estudou as histórias da medicina e da assistência psiquiátrica no Brasil. Tinha especial interesse pela então chamada "psiquiatria comparada", ou seja, as manifestações das doenças mentais em culturas diversas, como atesta a sua correspondência com Emil Kraepelin.

 Seu espírito aberto e inquieto não ignorou a psicanálise; tendo domínio do alemão, conhecia as obras de Freud e tinha uma avaliação crítica delas. Numa resenha em que elogiou o livro de Franco da Rocha, "O pansexualismo na doutrina de Freud" (1920), referiu que a Sociedade Brasileira de Neurologia vinha promovendo palestras de divulgação da psicanálise e comentou, com sua ironia peculiar, que esta era pouco conhecida no país porque "No Brasil, em geral os colegas, em obediência à lei do menor esforço, aguardam que as ideias e as doutrinas passem primeiro pelo filtro francês para que nos dignemos a olhá-las contra a luz (...)".

 Ao longo de toda sua vida, participou de muitos congressos médicos e representou o Brasil no exterior, na Europa e no Japão. Foi membro de diversas sociedades médicas e antropológicas internacionais; fundou, em colaboração com outros médicos, os periódicos Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal (1905), Arquivos Brasileiros de Medicina (1911) e Arquivos do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro (1930) e a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal (1907).

 Finalizando, para melhor entender a atuação de Juliano Moreira deve-se recordar que, nas primeiras décadas do século XX, a medicina brasileira acreditava ser capaz de dirigir o processo de modernização e sanitarização do país. Assim também cria Juliano Moreira e sua atuação foi coerente com esta visão; para ele, o principal papel da psiquiatria estava na profilaxia, na promoção da higiene mental e da eugenia. Em que pese o caráter francamente intervencionista deste projeto médico, não se pode negar o brilhantismo, a coragem e a originalidade deste fundador da psiquiatria brasileira.''

 Médico, negro e psiquiatra Juliano fez grandes feitos, e contribuiu imensamente para o meio cientifico, estando muito a frente do seu tempo com diversas atitudes e teorias que fizeram dele um dos melhores da época, mesmo enfrentando toda problemática do racismo, ele rompeu barreiras e construiu um legado de sucesso e se tornou sinônimo de orgulho e inspiração para muitos negros.


ODA, G; DALGALARRONDO, P. Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.22 n.4 São Paulo Dec. 2000 

 

Imagem Disponível em: <https://www.geledes.org.br/juliano-moreira/> Último acesso em 04/10/2020.


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

''O que vocês não deixam as pessoas verem ?''

 

E ai, vamos bater um papo?

‘’O que vocês não deixam as pessoas verem?’’. Esta é uma frase do documentário The mask you live in, segundo documentário escrito, produzido e dirigido por Jennifer Siebel Newsom, e sendo exibido pela Netflix. As reflexões propostas pelo documentário em torno de como a constituição da masculinidade e a perpetuação dela ocorre em nossa sociedade desde a infância e adolescência. A proposta abordada torna-se ainda mais interessante ao nos deparar como esses homens, especialmente jovens, são lesados da sua constituição de identidade. 

Se caso você se identificar quanto ao gênero masculino e estiver lendo este texto, proponho que faça alguns exercícios de reflexão: Você se recorda da primeira vez que ouviu ‘’seja homem, pare de chorar’’? Em quais momentos você não se sentiu homem o suficiente? Aliás, o que é ser um homem? E uma pergunta ainda mais íntima, quais são suas maiores referências masculinas e por quê? Você teria coragem de olhar para sua máscara da masculinidade e ver o que o que ela esconde? Se caso você não se identificar quanto ao gênero masculino te proponho também a uma reflexão ‘’O que é ser homem?’’. 

Refletindo sobre como nossa sociedade se constitui com base na masculinidade, que aliás são múltiplas e estamos cercados por elas a todo momento, o exercício dessas reflexões não devem limitar-se aos indivíduos desse gênero. Estamos cercados por nossos amigos, pai, filho, marido, tio, colega de trabalho/faculdade. Eles são sujeitos de memórias, então deve ser motivado a eles encará-las, senti-las e externá-las para então daí pensar em uma (re)construção de sujeitos. Como diz um amigo, homens não são ensinados a falar sobre sentimentos, muito menos olhar para eles.

O caminho para a compreensão da performance de um corpo negro e sua masculinidade deve ser visto para além de um objeto de estudo, ele deve ser visto como um local de existir. Então, como eu uma mulher negra interajo juntamente com as mobilizações sociais das masculinidades negras ao meu redor? Quais linguagens me foram ensinadas e aquelas que eu construí para me relacionar com estes sujeitos? - sujeitos estes que tem humanidade e identidade violadas em diversas instâncias. Quais expectativas estas são colocadas acima destes corpos, dessas masculinidades não hegemônicas? 

Por fim, um projeto de extensão como este idealizado para atuar nas escolas públicas de Juiz de Fora, teria como uns dos objetivos em um encontro presencial a exposição dessas memórias desses estudantes, (estudantes que se vem como meninos ou como homens a propósito), promover um diálogo, um espaço de acolhimento e talvez um espaço tempo para repensar essas máscaras. 

 

talvez: termo para demonstrar a intenção de promover reflexões, possibilidades de encaminhamentos

 

Indicação de materiais 

Documentário The Mask You Live in, exibido pela Netflix. 

Música: SANT - O que separa os homens dos meninos 

Artigo produzido pela Ludmila Pereira de Almeida: Corpos diaspóricos e masculinidades negras: Uma leitura de Todo mundo odeia o Chris a partir da decolonialidade. <http://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/631/341>

Artigo produzido pela Miriam Gomes Alves: Jovens negros: representações das culturais juvenis, relações de poder e masculinidades negras presentes na escola. <https://www.copene2018.eventos.dype.com.br/resources/anais/8/1538357310_ARQUIVO_ARTIGOFINAL.pdf>




 

 



terça-feira, 1 de setembro de 2020

Cruz e Sousa




A escrita e os textos permitem variadas expressões tanto ao leitor, quanto ao escritor.
E no meio da comunidade negra isso não é diferente, temos uma gama de escritores extremamente talentosos e um  enorme número de leitores que anseiam por conhecimento, representatividade e entretenimento.



Em 1861, no dia 24 nascia um dos maiores nomes do simbolismo, João Da Cruz e Sousa.

Filho de ex-escravos ficou sob a proteção dos antigos donos de seus pais, após receberem alforria. Por conta disso recebeu uma educação acadêmica de alto nível no Liceu previdencial de Santa Catarina, adquiriu o sobrenome "Sousa" que é advindo de seu ex-patrão que demonstrava certa gratidão aos pais do escritor.



Mesmo obtendo alguns privilégios a mais do que a maioria dos negros da época, João sofreu inúmeras represálias e lidou ferozmente com o racismo, que naquele tempo era muito mais evidente e caótico.



Sua inclinação para artes, línguas e literatura, possibilitaram a ele agregar uma série de conhecimentos que em pouco tempo trouxeram bons frutos, ele trabalhou como escritor no jornal abolicionista ''Tribuna Popular", além de ter sido diretor do mesmo.



Sua capacidade intelectual era aguçada, e com toda certeza era extremamente competente, quase chegou a ser promotor público em Laguna SC, porém foi impedido devido as represálias racistas da época.



Anos depois se mudou para o Rio de Janeiro, onde foi colaborador do jornal "Folha Popular" e das revistas "Ilustrada" e "Novidades''. Suas participações na maioria das vezes dentre esses folhetins se dava por pautar racismo e preconceito racial, seus posicionamentos eram pontuais e relevantes já que o próprio passava por situações de preconceito diariamente.



Ainda no Rio de Janeiro, casou-se com Gavita Gonçalves, com quem teve 4 filhos, infelizmente todos tiveram um fim precoce já que foram acometidos da tuberculose, doença gravíssima naquele tempo. Rodeado da tristeza, solidão e escuridão Cruz e Sousa começou a expressar seus sentimentos e sensações em meio aos poemas de sua autoria.


Suas obras ficaram marcadas pela musicalidade, subjetivismo, individualismo, pessimismo, misticismo e espiritualidade. Um conjunto de sentimentos que representavam sua vida e realidade, principalmente no presente momento de tantas perdas.



Acometido também pela tuberculose, o poeta se mudou para Minas Gerais, na cidade de Curral Novo, onde buscava por uma melhoria na saúde. Mas já era tarde visto que além da doença, seu emocional e saúde mental já estavam bem prejudicadas, além do grande histórico de preconceito vivido e grandes perdas, o ilustre "Dante Negro" faleceu prematuramente aos 36 anos.



Apesar da morte prematura, Cruz e Sousa deixou um extenso legado, e se tornou um dos nomes mais importantes do simbolismo, além disso foi um dos precursores de discursos abolicionistas. Todos esses feitos foram conquistados com muito esforço, persistência e coragem.


Ser um negro de sucesso pode ser difícil e árduo, mas não impossível.

Confira a baixo uma das obras do poeta :
LIVRE


Livre! Ser livre da matéria escrava,
arrancar os grilhões que nos flagelam
e livre penetrar nos Dons que selam
a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

Livre da humana, da terrestre bava
dos corações daninhos que regelam,
quando os nossos sentidos se rebelam
contra a Infâmia bifronte que deprava.

Livre! bem livre para andar mais puro,
mais junto à Natureza e mais seguro
do seu Amor, de todas as justiças.

Livre! para sentir a Natureza,
para gozar, na universal Grandeza,
Fecundas e arcangélicas preguiças.
-Yago Neves



Referencias:



Disponível em : <https://www.todamateria.com.br/cruz-e-souza/> Último acesso 27/08/20.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

O Teatro Negro no Brasil


          A necessidade de se verem representados nos palcos fez com que grupos formados por artistas negros como o Bando de Teatro Olodum (1990), em Salvador, criassem espetáculos que trouxessem às questões da igualdade e da discriminação para o primeiro plano. Porém, esta problemática não é nova na dramaturgia brasileira. Ela surgiu pela primeira vez no Teatro Experimental do Negro - TEN, fundado em 1944 no Rio de Janeiro por Abdias Nascimento (1914-2011), um dos maiores nomes do ativismo negro no Brasil.

          O TEN procurou fomentar uma valorização do negro brasileiro a partir da criação de uma dramaturgia que discutisse a situação dessa população na sociedade, e que criasse personagens que fugissem dos estereótipos presentes nas peças e filmes do período, onde os negros e as negras eram representados de forma caricata e grosseira. O TEN funcionou até 1968 quando Abdias Nascimento fugindo da perseguição política promovida pelo Regime Militar exilou-se nos Estados Unidos. O Teatro Experimental do Negro foi mais que um coletivo artístico porque sua atuação incluía a educação e a cidadania através de cursos de alfabetização de adultos e da militância em defesa da inclusão da população negra na sociedade brasileira.

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Abdias do Nascimento (1914-2011). Economista e sociólogo que se tornou o maior nome do movimento negro brasileiro. Além de ter criado o Teatro Experimental do Negro foi o organizador do I Congresso do Negro Brasileiro, realizado na cidade do Rio de Janeiro em 1950. Exilado tonou-se professor universitário nos EUA. Em 1982 retornou definitivamente ao Brasil e no ano seguinte tornou-se deputado federal. A luta em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva marcará toda a sua trajetória política e intelectual.



          Surgido em 1990 na cidade de Salvador a partir da iniciativa dos diretores teatrais Márcio Meirelles e Chica Carelli o Bando de Teatro Olodum reúne artistas negros de diversas gerações. Seus espetáculos são inspirados na cultura negra baiana e engajados na luta contra a discriminação étnico-racial. Entre seus muitos trabalhos, destaca-se Ó paí, ó! (1992), peça que faz parte da trilogia do Pelô, que inclui também Essa é Nossa Praia (1991) e Bai Bai Pelô (1994).

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Ó paí, ó! (2007), Texto Marcio Meirelles e Bando de Teatro Olodum. Direção Márcio Meirelles. Teatro Vila Velha, Salvador.  
 

O espetáculo Ó paí, ó  é uma criação coletiva de todo o elenco do Bando de Teatro Olodum. A partir de improvisações os atores foram construindo as cenas e dando vida aos personagens da peça, o diretor Márcio Meirelles alinhou as ideias e deu o acabamento final ao texto dramático. O enredo de   Ó paí, ó  como das outras peças da trilogia do Pelô  faz  referência às transformações do Pelourinho, em Salvador. 

No início do século XX o bairro concentrava as melhores moradias da cidade, mas na década de 1950 com a mudança do centro comercial para outra região, o bairro entra num processo de degradação e abandono o que faz com que até a década de 1980 ele fosse estigmatizado como zona de marginalidade. 
Devido ao preço baixo dos aluguéis e por estar localizada numa região central, e próxima ao porto, muitas pessoas começaram a se mudar para os casarões antigos e abandonados da região do Pelourinho. Em 1985, devido ao conjunto arquitetônico colonial e a importância da região para a consolidação da cultura africana em terras americanas, já que foi um porto importante no comércio transatlântico, o Pelourinho foi tombado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Patrimônio da Humanidade. 
  
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Pelourinho, Salvador/BA. 

O título recebido fez com que na década de 1990 o Pelourinho começasse a passar por um processo de revitalização. Ao mesmo tempo em que trouxe benefícios esse processo causou muitos conflitos porque os atuais moradores por não conseguirem arcar com o novo custo de vida trazido pelas melhorias urbanas foram paulatinamente expulsos da região.  
A peça Ó paí, ó!  trata justamente  do problema da moradia e da exclusão social que a população do Pelourinho, formada majoritariamente por negros enfrentou. O texto teatral foi adaptado em 2007 para o cinema e no ano seguinte transformado numa série de televisão.   Tanto o filme quanto a série se passam num edifício antigo e deteriorado. A água e a luz são precárias. Os moradores enfrentam o perigo de morar num prédio que não possui condições mínimas de segurança. Entretanto, morar ali é a única opção dos personagens que não possuem condições financeiras de mudar-se para outro espaço. A maioria das pessoas que moram no prédio vivem do comércio informal, são vendedoras, engraxates, carregadoras de caixas, guias turísticos, artistas que enfrentam com muitas dificuldades o cotidiano.  
Discutir as condições do negro brasileiro contemporâneo é uma das questões principais do Teatro Negro, termo que diz respeito aos diversos grupos teatrais brasileiros, formados principalmente por artistas afrodescendentes, que se dedicam a pensar e a criar uma dramaturgia e uma encenação fortemente marcada pela diáspora africana.    

https://sindicatodoscinefilos.files.wordpress.com/2010/02/dicas-do-dia-o-pai-o-filme.jpg 
Ó paí, ó!  (2007). Filme dirigido por Monique Gardenberg a partir da peça homônima de Márcio Meirelles e Bando de Teatro Olodum.